ODS: por quê as brasileiras precisam saber do que se trata

Um grupo de ações para erradicar a pobreza, proteger o planeta e assegurar a paz e a prosperidade até 2030. Essa é a ideia por trás dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

São 17 objetivos que visam um futuro melhor para as próximas gerações, entre eles: paz e justiça, fome zero, educação de qualidade, saneamento, crescimento econômico, consumo responsável e inovação.
Passados dois anos e meio da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a igualdade de gêneros (ODS 5) continua sendo fundamental na entrega de promessas como paz e progresso humano.
De acordo com o relatório “Transformando promessas em ações: igualdade de gênero na Agenda de 2030 de Desenvolvimento Sustentável”, divulgado pela ONU em 14 de fevereiro, não há desenvolvimento sustentável sem igualdade de gêneros. “Não se trata de um objetivo, mas de todos os objetivos”, declarou Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres.
De fato, esse relatório é inovador por analisar todos os 17 objetivos da Agenda de 2030 através da igualdade de gêneros. “Esse relatório é o primeiro do seu tipo. Ele olha a agenda inteira pela perspectiva da igualdade de gênero. Nós oferecemos um detalhado olhar no estado de mulheres e meninas pelo ODS 5, mas também olhamos a igualdade de gênero e como ela interfere em todos os outros 16 objetivos”, concluiu Phumzile Mlambo-Ngcuka.
Educação, pobreza, segurança alimentar e violência são alguns dos fatores que a pesquisa analisa:
  • Globalmente, 15 milhões de meninas jamais aprenderão ler e escrever, comparado com 10 milhões de meninos.
  • Para cada 100 homens, 122 mulheres vivem em extrema pobreza.
  • Em 141 países, dois terços correspondem a mulheres mais propensas a insegurança alimentar.
  • Uma a cada cinco mulheres com menos de 50 anos já sofreu violência física ou sexual de um parente íntimo nos últimos 12 meses.
As mudanças climáticas também tem um impacto desproporcional em mulheres e crianças: elas são 14 vezes mais vulneráveis a morrer em desastres naturais.
Outro destaque é a desigualdade financeira dentro de casa. Comparadas com os homens, as mulheres tendem a viver com menos de 50% da renda domiciliar. Só no Brasil, mais de 40% das mães solteiras vivem com menos de 50% da renda média (comparado com 19% de homens e mulheres, no geral).
O sucesso dos ODS depende da parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e os seus estados membros e territórios. E o Brasil foi um dos países mais importantes na criação desses objetivos, participando de todas as as sessões da negociação intergovernamental. No entanto, na prática o país caminha a passos lentos. A crise política, com o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, atrasou as novas metas de desenvolvimento por aqui.
O estudo da ONU Mulheres pode não ser muito positivo, mas fornece um roteiro para monitorar e avançar as mudanças para mulheres e meninas com três elementos-chave: melhor dados, mecanismos de responsabilidade mais fortes e políticas transformadoras.
Afinal, como disse o ex-secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon, ao divulgar a Agenda de 2030 de Desenvolvimentos Sustentável : “Não existe plano B, afinal não há planeta B”.

Dados: Relatório da ONU divulgado em 14 de Fevereiro de 2018 — “Turning Promises Into Action: Gender Equality in the 2030 Agenda for Sustainable Development”.

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